- Não faz isso...
- Ai, não faz isso você..
- O que eu fiz?
- Me assustou, chega do nada.
- Se assustou? Mas foi você quem me chamou
- Mentira.
- Verdade, me chama sempre quando pensa em algo que sabe que não deveria estar pensando, ou então quando quer colo mas não tem um por perto.
- Eu não me lembro de ter te chamado aqui.
- Você me chama respirando fundo.
- E ai?
- E ai eu venho.
- Mas o que você faz?
- Ah, eu fico aqui, ai a gente conversa e você começa a falar um monte de coisa e eu começo a te perguntar um tanto de coisa.
- E pra que faz isso?
- Te fazer perguntas? Pra você chegar a uma conclusão saudável. Eu sou o que posso dizer o seu lado mais maduro.
- Então você sou eu?
- Sim.
- Existe o seu lado oposto?
- Sim, mas que nunca o vejo, eu só vejo a bagunça que ele faz.
- Como assim?
- Ah! Eu vou passando por aqui ai vejo uma zona, ai você respira fundo, então eu sei que tá na hora de chegar e dizer oi.
- Tenho medo de você.
- Convive comigo a tanto tempo e agora que tem medo. Não precisa disso.
- Deixa eu ver se entendi. Eu converso com você o tempo todo, você me ajuda a chegar a uma conclusão só fazendo perguntas...
- As vezes eu dou a resposta.
- Enfim, eu te chamo respirando fundo, você tem um lado oposto que nunca viu mas vive arrumando a bagunça que ele faz, e se diz o meu lado maduro. Isso?
- Sim, sou um psicologo dentro de você mesma.
- Estranho, mas interessante.
- Mas não mude de assunto, já entendeu quem eu sou. Me diz ai, estava pensando aquilo pra que se sabe que não vai dar certo, perda de tempo e de uma coisa que você sabe que vai fazer muita falta depois.
- Só estava pensando sabe, tô vulnerável caramba.
- Eu sei, se não estivesse eu não estaria aqui né.
- Você também sabe ser grosso.
- Sou você.
- Eu só pensei, só isso.
- Me conta mais sobre isso.
- Então...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Espaço
- Tá vendo aquele canto ali?- Sim, o que tem ele?
- Tinha algo ali.
- E porque não tem mais?
- Não sei. Talvez porque não era para estar ali, por isso não está mais.
- E agora?
- Tenho que arrumar outra coisa para colocar no lugar, já que o que tinha ali não era para estar ali, tenho que achar o que realmente deve ficar. entendeu?
- Tem que procurar alguma coisa para colocar no lugar daquilo que não está mais por não ser ali que ela deveria estar?
- Sim, isso mesmo.
- Mas porque não deixa esse espaço ai, vai que a coisa volta.
- Não, acho que não volta mais.
- Afinal, o que tinha ali?
- Não me lembro, mas ta fazendo falta, porque se deixou um espaço e eu notei.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
O teto
- O que você está fazendo?
- Deitada olhando para o teto...
- Mas para que?
- Já percebeu como o teto é irregular?
- Já uai, nunca vi nenhum pedreiro fazer um teto completamente perfeito.
- Ele é torto, a luminária não está no centro certinho. Olha esse, tem furinhos...
- Tá, e daí.
- Você também tem furinhos?
- Ãh?
- As vezes eu paro olho para o teto e vejo que também sou assim...
- O que tinha no café que você tomou?
- Tenho falhas, e tenho furinhos também. Tenho mágoas...
- Não entendi... você está se comparando com o teto?
- Os furinhos no teto não são coisa boa, pode entrar água, e pode alagar tudo estragando tudo. A mesma coisa em mim, ter mágoa pode me estragar. Não é bom continuar com esses buraquinhos no teto, mas principalmente não é bom continuar com esse buraquinhos dentro de mim.
- Tá bom, eu passo massa no teto e arrumo isso.
- Arrumar o teto é fácil, pois é só um teto, coloca massa e tampa os buraquinhos. Me arrumar é difícil, não dá pra colocar massa e tampar os buraquinhos, é mais complicado.
- E como quer tampar os seus buraquinhos?
- Com o tempo, mas não adiantar eu deitar aqui e esperar passar , tenho que me arrumar primeiro, se eu continuar a mesma não vou conseguir tampa-los.
- Quer ajuda?
- Não, acho que isso eu tenho que fazer sozinha
- Deitada olhando para o teto...
- Mas para que?
- Já percebeu como o teto é irregular?
- Já uai, nunca vi nenhum pedreiro fazer um teto completamente perfeito.
- Ele é torto, a luminária não está no centro certinho. Olha esse, tem furinhos...
- Tá, e daí.
- Você também tem furinhos?
- Ãh?
- As vezes eu paro olho para o teto e vejo que também sou assim...
- O que tinha no café que você tomou?
- Tenho falhas, e tenho furinhos também. Tenho mágoas...
- Não entendi... você está se comparando com o teto?
- Os furinhos no teto não são coisa boa, pode entrar água, e pode alagar tudo estragando tudo. A mesma coisa em mim, ter mágoa pode me estragar. Não é bom continuar com esses buraquinhos no teto, mas principalmente não é bom continuar com esse buraquinhos dentro de mim.
- Tá bom, eu passo massa no teto e arrumo isso.
- Arrumar o teto é fácil, pois é só um teto, coloca massa e tampa os buraquinhos. Me arrumar é difícil, não dá pra colocar massa e tampar os buraquinhos, é mais complicado.
- E como quer tampar os seus buraquinhos?
- Com o tempo, mas não adiantar eu deitar aqui e esperar passar , tenho que me arrumar primeiro, se eu continuar a mesma não vou conseguir tampa-los.
- Quer ajuda?
- Não, acho que isso eu tenho que fazer sozinha
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Hoje
Prometi para mim mesma que não iria fazer meu blog de diário, pelo simples fato de que diário é algo que nos deixa comprometidos a escrever todos os dias, e sempre contar como foi o nosso dias, mesmo que seja de uma forma indireta ou direta. Por este mesmo motivo desisti do meu diário e agora passo a apenas deixar meus dias como lembranças em minha memória. Porém hoje em especial gostaria de colocar em palavras o que me aconteceu, e não há melhor forma de fazer isso se não escrevendo como se estivesse relatando em um diário, ou pelo menos como eu acho que se escreve em um diário.
Hoje dia 11 de janeiro de 2013, resolvi arrumar a segunda parte do meu quarto, (separei essa semana para separar meu quarto em partes e arrumar.), encontrei um caderno que minha mãe usava no hospital para fazer anotações, nunca olhava para saber o que tinha no caderno, mas hoje encontrei este. A primeiro momento resolvi não ler, não me sentia a vontade para isto, porém agora anoite olhei para o caderno e me veio aquela curiosidade junto a saudade de olhar a ler da minha mãe, que peguei o caderno e comecei a ler. Percebi vários pontos, o primeiro foi que ela anotou todo o processo de tratamento, do inicio até o dia do transplante, sem interrupção, o segundo ponto foi de que a cada relato havia um versículo bíblico de conforto, terceiro foi de que chegando um ponto em que sua letra foi ficando cansada, ou seja, ela já não conseguia mais relatar, por conta do tratamento seu tato estava fraco então meu primo escreveu por ela, mas logo depois ela resolveu escreve mesmo com as mão fracas. Quarto ponto foi a preocupação dela em lembrar os nomes dos médico, enfermeiros(as), das pessoas que passavam o dia com ela, e até das copeiras. E o ultimo ponto, o que mais me impressionou foi que ela em momento algum se deixou abalar, em momento algum perdeu a fé. E para fechar, levarei para o resto da minha vida as palavras que encontro, escritas por ela. "O processo do amadurecimento é inevitável, marcado por fracasso, mas o único fracasso verdadeiro é a desistência. Quanto mais dura é a situação, mais firme devemos ficar. Devemos nos tornar maiores que nosso problemas."
Não pude deixar de terminar os relatos, então coloquei a minha maneira o fim para este caderno, mas com toda certeza de que vou guarda-lo.
Hoje dia 11 de janeiro de 2013, resolvi arrumar a segunda parte do meu quarto, (separei essa semana para separar meu quarto em partes e arrumar.), encontrei um caderno que minha mãe usava no hospital para fazer anotações, nunca olhava para saber o que tinha no caderno, mas hoje encontrei este. A primeiro momento resolvi não ler, não me sentia a vontade para isto, porém agora anoite olhei para o caderno e me veio aquela curiosidade junto a saudade de olhar a ler da minha mãe, que peguei o caderno e comecei a ler. Percebi vários pontos, o primeiro foi que ela anotou todo o processo de tratamento, do inicio até o dia do transplante, sem interrupção, o segundo ponto foi de que a cada relato havia um versículo bíblico de conforto, terceiro foi de que chegando um ponto em que sua letra foi ficando cansada, ou seja, ela já não conseguia mais relatar, por conta do tratamento seu tato estava fraco então meu primo escreveu por ela, mas logo depois ela resolveu escreve mesmo com as mão fracas. Quarto ponto foi a preocupação dela em lembrar os nomes dos médico, enfermeiros(as), das pessoas que passavam o dia com ela, e até das copeiras. E o ultimo ponto, o que mais me impressionou foi que ela em momento algum se deixou abalar, em momento algum perdeu a fé. E para fechar, levarei para o resto da minha vida as palavras que encontro, escritas por ela. "O processo do amadurecimento é inevitável, marcado por fracasso, mas o único fracasso verdadeiro é a desistência. Quanto mais dura é a situação, mais firme devemos ficar. Devemos nos tornar maiores que nosso problemas."
Não pude deixar de terminar os relatos, então coloquei a minha maneira o fim para este caderno, mas com toda certeza de que vou guarda-lo.
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